Publicado em:
29/05/2024
Em entrevista, Rodrigo Placido, diretor de Inovação do Grupo Stefanini, fala sobre o papel da tecnologia nos processos internos e no desenvolvimento de produtos
Por Innovation Latam
No cenário dinâmico da transformação digital, ganham destaque as empresas que não apenas acompanham as mudanças tecnológicas, mas também as impulsionam. O Grupo Stefanini é um exemplo emblemático desse protagonismo.
Com presença consolidada em escala global e influência significativa no Brasil, sua trajetória é marcada pelo pioneirismo e pela visão estratégica. Além de contribuir massivamente para a transformação digital de diversos setores, a empresa assume a responsabilidade de garantir eficiência aos negócios por meio do uso avançado da inteligência artificial. Para tanto, investir na inovação se faz fundamental, seja reforçando sua relevância na cultura do ecossistema, seja como protagonista de uma área exclusiva.
Comandada por Rodrigo Placido, a frente de inovação assume responsabilidades diretamente ligadas à estratégia do negócio, sendo responsável, entre outras coisas, por desenhar e levar soluções do portfólio do ecossistema para os clientes, além de conectar soluções aceleradoras por meio do programa de inovação aberta, o 87.co, realizado em parceria com a Innovation Latam, desde 2020.
"Temos contribuído com esse programa não apenas com a nossa força no ecossistema de startups, mas também com nossa expertise, o que tem conferido grande credibilidade e visibilidade no ecossistema de inovação aberta. Além disso, realizamos um trabalho minucioso para entender quais são as startups que têm mais fit com os desafios. Parte do trabalho é entender o que cada uma dessas startups pode oferecer quando se fala de utilização de inteligência artificial para resolver desafios diferenciados", salienta Rubens Aguiar, Chief Strategy Officer da Innovation Latam.
Confira a entrevista exclusiva com o diretor de inovação e descubra como a evolução da inteligência artificial tem contribuído com a consolidação do grupo.
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INNOVATION LATAM: Qual é o papel da área de inovação no Grupo Stefanini?
Rodrigo: A área de inovação proporciona uma visão de ponta a ponta de todo o grupo. Fica conosco a parte de transformação ágil, eficiência digital e agilidade organizacional. Nossa área também concentra uma visão de consultoria de negócio que se propõe a desenhar e levar soluções do portfólio do nosso ecossistema para os clientes. Na frente do negócio, damos suporte fornecendo inteligência de mercado e uma visão estratégica para o time comercial sobre as necessidades dos seus clientes e as ofertas mais adequadas, ou até suporte com ferramentas, conteúdo e informações de insights de vendas. Também ajudamos na gestão, na visão de SDR, um primeiro contato, abrindo o negócio numa frente para o comercial.
Outro pilar que temos forte é o de integração das ofertas. Somos responsáveis por desenhar modelos a partir de um desafio que o cliente já traz e acelerar uma solução usando o que temos pronto aqui no ecossistema em termos de plataforma e soluções, para conseguirmos entregar algo rápido para resolver um problema. Para isso, passamos pela gestão do ecossistema da Stefanini e do ecossistema de inovação aberta, que foi formatado em 2020. Isso inclui relacionamento com os hubs de inovação, startups e empresas do grupo, que chamamos de Ventures. Hoje temos mais de 30 empresas que compõem esse grupo, que dividimos por torres um pouco mais segmentadas. Graças ao ecossistema das nossas empresas e do nosso programa de inovação aberta, conseguimos operacionalizar e entregar isso de uma forma rápida.
INNOVATION LATAM: Como você enxerga o avanço da Inteligência Artificial nos últimos anos e como o Grupo Stefanini tem incorporado a tecnologia internamente e nos serviços e produtos oferecidos aos clientes?
Culturalmente, a inovação está muito espalhada no grupo, o que significa que temos outras áreas de inovação muito fortes, como, por exemplo, um time dedicado à inteligência artificial, que fica no nosso escritório dos Estados Unidos e que traz soluções para dentro e para os produtos também.
Além disso, a Woopi é uma empresa do Grupo que trabalha com inteligência artificial há mais de 12 anos. Isso tudo mostra que a evolução da tecnologia por aqui vive uma crescente. Desde machine learning – que já é usada faz muito tempo – até a IA generativa, – introduzida mais recentemente –, que tangibiliza muito o que é a inteligência artificial e o seu poder transformador. Nossa visão em todo o grupo é de que a IA atua de forma transversal, conectada a tudo que entregamos. Não vendemos inteligência artificial, mas uma jornada para o cliente, na qual ela atua como ferramenta.
Nossa visão em todo o grupo é de que a IA atua de forma transversal, conectada a tudo que entregamos. Não vendemos inteligência artificial, mas uma jornada para o cliente, na qual ela atua como ferramenta.
INNOVATION LATAM: Qual é o papel da área de Inovação no sentido de incorporar a IA generativa no grupo com a velocidade demandada pelo mercado?
Começando lá atrás, já desenvolvemos ferramentas próprias para o desenvolvimento de prompts, o que resultou em uma biblioteca com mais de 1 mil prompts já desenvolvidos para diferentes soluções, e que ficam disponíveis e abertos para todo o grupo adaptar, de acordo com a demanda de cada área.
É de nossa responsabilidade também estimular o uso da tecnologia por parte dos gestores e dos colaboradores em geral. Além disso, temos um desafio mais recente, que é o de revisar os processos internos de cada área a fim de usar a inteligência artificial da melhor maneira possível.
Tanto internamente quanto do ponto de vista do cliente, ainda existe muita dúvida sobre como se deve usar e aplicar a inteligência artificial e como levar eficiência para essa aplicação, claro. Ter um processo bem definido na hora de aplicar a automação com inteligência artificial contribui para a eficiência dos resultados. Daí a importância de rever esses processos. Por meio de um trabalho consultivo, trazemos não apenas sugestões de novas soluções como o uso de IA, mas também plataformas que possam se conectar com essas soluções para exponenciar essa eficiência prometida em toda a nossa cadeia.
Por fim, quando falamos de inovação aberta, é nossa função buscar aceleradores, ou seja, soluções já prontas para acelerar alguma oferta ou processo interno.
INNOVATION LATAM: Já que você falou do programa de inovação aberta, vamos aproveitar e falar um pouquinho sobre ele. A terceira edição do 87.co está focada em inteligência artificial. Quais são os desafios mais específicos que vocês estão buscando nessa rodada?
Antes de tudo, vale destacar que o nosso programa de aceleração não é um programa que busca comprar uma startup, mas integrar soluções aceleradoras às nossas ofertas e melhorar o nosso portfólio. Com isso em mente, os desafios deste ano estão focados em soluções que apliquem a inteligência artificial, não necessariamente generativa, nas nossas ofertas de enterprise services, na parte de infraestrutura e digital workplace, numa visão de gestão de ativos. Além disso, temos um desafio voltado para o time de RH, que busca ajuda na gestão das contratações, principalmente.
INNOVATION LATAM: Isso nos traz mais uma questão a se explorar: como a área de inovação se comunica e se integra com as outras áreas da empresa a fim de introduzir a inovação de forma transversal?
Como eu disse, trabalhamos numa jornada que vai desde o entendimento das tendências de mercado e de segmento. Isso significa que conseguimos trazer um direcionamento estratégico para onde devem ir nossas ofertas e soluções, tanto do ponto de vista aqui da empresa, da consultoria, quanto também dos segmentos dos clientes, para podermos adaptar e criar ofertas para atender essas demandas e tendências.
Esse trabalho ajuda na evolução e melhoria de nossos produtos. Ele é constante e se relaciona diretamente com outras áreas. Eu diria que nossa área é o hub que conecta tudo dentro do grupo Stefanini. Conseguimos ter a visão do portfólio e do ecossistema como um todo. Com a visão de consultoria de negócio, conseguimos fazer a conexão desse universo.
INNOVATION LATAM: Você falou bastante sobre a frente de inteligência de mercado e identificação de tendências. Ainda de olho na IA generativa, quais são as áreas/setores com maior demanda por aplicação da tecnologia?
Trata-se de um cenário sobre o qual é difícil falar a longo prazo. Mas, quando falamos de IA generativa e geração de conteúdo, as possibilidades são grandes. Na Topaz, por exemplo, a empresa de tecnologia financeira do grupo, oferecemos a solução de um conversational banking, que nada mais é que um assistente financeiro automatizado com a IA generativa.
A revolução é muito grande e quando falamos de marketing e geração de conteúdo, fica mais fácil de tangibilizar. Essa é a área na qual conseguimos ver os melhores resultados na criação desse tipo de conteúdo. A perspectiva é que sua aplicação nas áreas de comunicação e experiência com o consumidor seja cada vez maior. O marketing é transversal a todos os setores, então acaba que é uma forma de aplicar a tendência em todos os setores que englobam essa necessidade.
Agora, quando falamos do seu uso no desenvolvimento de TI para transformar esse código para uma arquitetura mais moderna, isso fica muito mais fácil. O uso para criação de código hoje já é tão normal que já nem lembramos que é revolucionário. A geração desse tipo de conteúdo com genIA é muito mais efetiva porque, ao contrário da comunicação de linguagem natural que ainda demanda grande curadoria, no caso dos códigos isso não é necessário.